A crise advinda do COVID-19, mesmo no Brasil, com suas inegáveis dificuldades estruturais, nos desenha seletividade em seus efeitos. Parece que, seletivamente, vai limpando o espaço de negócios no qual vivemos.

Recentes avaliações de desempenho de vendas a mercado – Cielo, 09/20 , de falta de insumos para a indústria atender crescente demanda – Valor, 16/09/20,  de disparo na contratação de financiamentos habitacionais – O Globo, 09/20, de fechamento de unidades fabris  – Marcopolo e Randon, 10/20 e de restaurantes, hotéis e agencias de viagens causam sensação real de parcialidade. Vivemos uma crise diferente, com um processo de recuperação forte, em que pese menos íngreme do que a queda vista. Isto nos leva a descompassos momentâneos e a oportunidades de corrigir problemas de margens e de negócios de forma muito simples e eficaz. Comemorar crescimento de vendas importante no mês, mas revisar previsão de fechamento do ano para 34% abaixo do anterior – ANFAVEA, 10/20 – é uma realidade inexorável, vivida por muitos, mas não todos.

O COVID-19 nos abriu frentes de desenvolvimento e de pensamento, nos obrigou a questionar práticas e atitudes outrora “imexíveis” mas, acima de tudo, nos faz ver que não existe “terra arrasada”. Existem sim “áreas desertificando” e “oásis se desenvolvendo”. Como sempre.

Acreditamos que ainda teremos dois trimestres de ajustes, onde a visão inicial de provável  efeito nefasto do COVID, gerou ações de contenção as quais, passados alguns meses, se mostraram excessivas, causando momentânea defasagem entre demanda e oferta. Passados estes dois trimestres, voltaremos ao velho e bom “feijão com arroz” de nossos périplos negociais usuais, China voltará a vender pesado para o mundo inteiro, nossa produção primária continuará impactando positivamente a economia e nossas mazelas politico-economicas permanecerão nas capas das mídias. Apenas que alguns atores mudarão, cenografias serão diferentes e nossa forma de agir e pensar um pouco mais humana, introspectiva e contemplativa. 

O desafio real não está no período NO COVID mas no imediatamente após. A seletividade da crise COVID-19 e ainda oportunizadora de correções e ajustes importantes nas matrizes de operações domésticas, certamente nos conduz a um novo normal. E este não será apenas usando máscara ou distando 2 metros de outras pessoas. Enquanto uns definham, outros progridem. Como sempre foi e sempre será. Darwin estava certo. Mais uma vez.

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