Observamos comemorações de melhora de desempenho em vários setores da economia. Isto é bom e necessário. O COVID19 freou fortemente o processo econômico global e, especificamente no Brasil, resultou em um cenário de disparidade talvez nunca antes visto. Setores batem records de desempenho, outros definham quase à morte.

Este mix de recados do mercado pode, de forma ufanista, nos levar a acreditar, quando visto pela ótica dos bons desempenhos,  que  estamos crescendo e nos superando, mas, analisando friamente os fatos, não é verdade. Acompanhando o desempenho setorial da economia brasileira vemos mais sinais de retomada lenta e ainda passando por muitos obstáculos do que crescimento sustentado de fato. Recentes noticias de aumento de uso de crédito imobiliário advém mais de redução de taxas de juros e migração de investimentos do que de aumento de demanda por moradia propriamente dita e renda extra para fazer frente ao investimento. Temos, de fato, o inicio de uma “bolha imobiliária” cujo tamanho e duração em muito dependerá de ajustes de politicas tributárias e comportamento da geração de renda no país. Por outro lado, o efeito da politica governamental de subsídios salariais durante a pandemia gerou uma bolha de consumo aparente importante, a qual acreditamos não ser sustentável quando da retomada plena da atividade econômica. 

O Consumo Aparente em crescimento em alguns setores mais se dá por condições contextuais da crise e pelos instrumentos de mitigação empregados do que por mudanças efetivas de politicas. As oportunidades criadas pela retomada após o desastre que foi o segundo trimestre do ano, ensejou recuperação de margens em todas as cadeias produtivas, ajustadas estas, em custos, pelas medida de incentivo governamentais. Uma brisa inflacionária se aproxima a qual, associada a uma manutenção de taxas básicas de juros efetiva  negativa – quando fatorada inflação em conjunto –  nos leva a uma migração de disponibilidades de aplicações reativas – base CDI – para risco – mercado de ações e construção civil, primordialmente no primeiro momento – sem, de fato, criação de valor ou renda a maior. Teremos trimestres de melhoras seletivas mas, crescimento em si, efetivamente quase nulo e ainda muito segmentado. 

Comemorar é preciso. Inebriarmos destas jamais. Estamos retomando, lenta e gradualmente, com alguns expoentes reagindo mais rapidamente e outros tardiamente mas, crescer mesmo, ainda longe.