Levitt, em seu clássico artigo na HBR “Marketing Myopia” nos levou a pensar Marketing orientado ao cliente e não à empresa. O que vemos hoje é que o mesmo conceito precisa ser levado ao ambiente de negócios e não apenas restrito ao Departamento de Marketing

Passamos por uma fase onde informes e informações, fake ou real, nos fazem tender a tomar decisões que impactam nosso futuro, sem a real visão deste. Nos tornamos seres míopes e ainda, sofredores de alta miopia, com células oculares estressadas, rompíveis a um pequeno impacto. Evitamos o embate corpo-a-corpo e nos protegemos atrás de telas de OLED de última geração, microfones e wi-fi de alta largura de banda. Será este o nosso futuro?

No campo, na indústria e em boa parte dos serviços, a necessidade de estar no local e “com a mão na massa” é real e, em que pese mecanização, digitalização, etc. o ser humano atuando fisicamente ainda é insubstituível. Nosso futuro será desigual. Ponto.

Nossas desigualdades existem e precisam ser levadas em conta para que, ajustando as lentes, possamos ter uma visão mais clara do futuro e, ai, definir qual via nos levará até lá. É inequívoca a massificação dos meios de execução, a “democratização dos meios de pagamento e investimento”, etc. mas também o é a abissal diferença de necessidades e meios de satisfazê-las do morador de uma grande cidade e do pessoal que provê nossos alimentos do dia-a-dia, por exemplo. Um é mais importante do que o outro? O que os diferencia não é a importância do indivíduo, mas sim o modo como suprimos suas demandas. Ajustar as lentes e orientar nossos negócios para e por nossos clientes é a chave. 

Os grandes prédios de escritórios não sucumbirão ante um massivo êxodo dos grandes centros. Escritórios e residências mudarão layout. Novos “prédios” estão em construção para abrigar ícones da nova economia – XP Investimentos, por exemplo. Onde está a lógica? Qual lógica? A incerteza é a única certeza nestes dias. Continuaremos a ser desiguais como o somos desde o nascimento, com características únicas a cada um, mas todos devemos ser bem tratados e ter nossas demandas satisfeitas com razoabilidade ética e moral. 

Ajustar nossas lentes, olhar nossos clientes e alinhar nossa via para o futuro, baseando nas desigualdades intrínsecas dos seres humanos e na necessidade de “customização maciça” dos meios de atendimento às demandas individuais é a tônica.

Ser míope não é opcional, nascemos com isto; usar lentes corretivas para bem enxergar ao longe, sim. Só depende de nós.

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