Clássico do cinema de 1982, relatando a escolha de uma mãe Judia de dois filhos tendo de indicar um à morte, caso contrário matariam ambos, nos dá uma ideia das tomadas de decisão as quais o empresariado em geral está sendo compelido a tomar neste período de crise sem precedentes na história. Onde vou cortar para conseguir sobreviver? Onde vou inadimplir para conseguir minimamente viver? Quem sairá prejudicado nestas decisões?

Em primeiro lugar devemos entender que o sentimento de culpa por um lado – daqueles que prezam a sociedade como elemento crucial no desenvolvimento de seus negócios, por exemplo – ou de oportunismo por outro – aqueles que veem neste momento uma oportunidade de tentar se locupletar a custa da sociedade- ética e moral à parte, não é racional neste momento. E o momento é de extrema racionalidade. Apenas de racionalidade. As emoções, medos, angústias, sentimentos de benevolência, etc devem ser focados em nossas famílias e não nos nossos negócios. Decisões duras e muitas vezes impopulares deverão ser tomadas. Escolhas de vida e de morte também. 

Estamos em uma situação onde há a necessidade de buscarmos o máximo de informações, de conselhos, de ajuda, para podermos filtrar tudo e sair com decisões consistentes. Nesta semana, em um cenário mutante a cada turno, é praticamente impossível tomar decisões estratégicas. E, de fato, não devem ser tomadas outras que não aquelas que garantam preservação do caixa da empresa no curtíssimo prazo. 

Para os mais experientes, relembrem do Plano Collor, que criou uma crise de liquidez sem precedentes na história moderna do Brasil décadas atrás. Saímos dela. Sairemos desta também. Mas, tal qual a época, não será de forma solitária nem na função de Super-Homem ( ou Super Mega Ultra Lider ) mas sim na coletividade, na busca e uso de ajuda mútua, na troca de experiências e na gestão compartilhada em épocas de crise. A situação é diferente e mais grave? Claro que sim! As receitas usadas à época servem hoje? Mais ou menos. A principal é: procure ajuda, procure quem tem experiência em gestão de crise, fale com as pessoas reflita sobre seu negócio e espere para tomar decisões estratégicas para daqui a algumas semanas. Por hora, defenda seu caixa com unhas e dentes. Foque suas emoções e carinho em sua família. Eles precisam mais dos que os demais nestas horas. Seu negócio precisa de sua racionalidade neste momento. A escolha é sua.