Como sempre, a resposta é:  depende. Depende do setor, região, país etc.

A crise advinda da COVID-19 não dizimou – ainda – as estruturas de produção existentes nem colapsou atividades primárias o que nos leva a crer que a retomada possa se dar de forma rápida em vários setores, mas, devido ao temor do contágio, muito lenta em outros. Os setores de Alimentos e Fármacos, enquanto os governos conseguirem manter liquidez no sistema e renda nas famílias permanecem sem efeitos negativos – até, por sinal, com efeitos positivos. Politicas de manutenção de atividades essenciais geram assimetrias temporais nos mercados, mas com sustentabilidade restrita às disponibilidades de renda da população.

Setores dependentes de desejos e não necessidades – os “não essenciais” – continuarão com  impacto negativo pelo simples fato do temor de contágio levar a postergação de investimentos em atividades socializadores presenciais, por exemplo. Nestas atividades não essenciais,  as indústrias de eventos, shows, restaurantes & bares, esportes, hotelaria , transporte rodoviário, aéreo e naval de passageiros, entre outras tantas, terão uma recuperação muito lenta e dificil. Recentemente uma operadora de cruzeiros marítimos abriu reservas para o mês de Setembro e se surpreendeu com a voracidade dos clientes em buscar posições. A exceção confirma a regra? Sim: demanda reprimida é um ponto a se verificar. A manutenção desta ao longo do tempo é o problema efetivo. Nas localidades onde houve abertura de comércio pós-lockdown, uma corrida momentânea aos pontos de venda se mostrou presente, rapidamente arrefecida pela satisfação imediata da impulsividade natural. Resulta que, após esta “insensatez momentânea”, o volume reduziu a patamares bem inferiores aos de antes da parada. Isto será sim nosso “novo normal”: atividade abaixo do patamar pré-crise, com mutação importante no comportamento do consumidor. Após um período de ajuste, seguiremos crescendo, em ritmo normal, mas saindo de um patamar mais baixo do que o anterior ao COVID-19. Este período de ajuste é que varia setor a setor.

O consumidor pós-COVID-19 provavelmente – somente poderemos ter certeza após vivenciarmos no dia-a-dia neste período – mudará suas preferencias de compras não nos itens,  mas sim nos meios de adquiri-los. Somos, antes de mais nada, seres sociais, com necessidade de viver o coletivo e vivenciar experiências em grupo. A solidão não é parte de Eu. Por si só, o advento das mídias sociais e plataformas de teleconferência nos dão uma falsa percepção de coletivo, de socialidade. Falsa, pois nada substitui o olho-no-olho ou as boas risadas ao redor de uma mesa, em um ambiente de variadas personalidades, muitas delas ali presentes por diferentes objetivos. Isto é a natureza do ser humano. Daí vem que as mudanças serão no COMO fazemos e não no O QUE fazemos.

O medo, presente em maior ou menor grau em cada um de nós, dependendo dos nossos traços de personalidade, acabará por ser abafado pelo contágio geral da população ou pelo volume muito baixo de casos severos. Isto, segundo as mais recentes estatísticas e projeções nos levam a um cenário de 4 a 6 meses para tal. Observe-se então que os setores dependentes de convívio social mais próximo levarão igual tempo para se tornarem novamente atrativos.

Analise seu público usual e valide onde, na régua de tempo da retomada econômica, seu negócio está. Se for uma régua muito longincua e você não tem caixa para sobreviver até lá,  repense imediatamente o que você está fazendo e aja no sentido de se reinventar, ou seu negócio poderá não estar mais ali quando a retomada vier. Melhor, nestes casos, deixar espaço para a concorrência sofrer as dores da retomada do que você as da perda do negócio.

Como tudo na vida, projeções e expectativas são afirmações com grau de efetividade muito variável, mormente pela condição de seres humanos, emocionais e falíveis que somos, mas são hipóteses a ser trabalhadas para planejarmos nosso futuro.