2020 se mostrou o mais desafiador dos últimos 100 anos. É para esquecer ou lembrar? Entendemos que é para lembrar, aprender e crescer.

Nunca mudamos tanto em tão pouco tempo e de forma tão generalizada. Nossas maneiras de comprar, estudar, conviver, celebrar e de viver sofreram mutações impactantes que deverão reverberar por muitas décadas.

Vimos que não necessitamos tanto de deslocamentos físicos, muito se fazendo através de plataformas digitais. Plataformas estas que evoluíram na crise de forma estupenda, quer seja no próprio processo de encontros e reuniões quer seja em atividades mais mundanas como pagar uma conta. Quem não estiver “Digital”, não sobreviverá.

Verificamos que nada substitui o contato físico, o olho-no-olho e o aperto de mão e que somos, de fato, gregários. Mas vimos que reservar estes momentos para aqueles que realmente interessam e propiciam felicidade, empatia e realização faz muito mais sentido. Quem não souber aproveitar o contato físico, perderá espaço no mercado.

Aprendemos que os limites físicos de nossa existência são aumentados quase infinitamente pelas mídias digitai: deixamos de ser espectadores de programas de TV e nos tornamos efetivos geradores de conteúdo e protagonistas. Para o bem e para o mal. Quem não se tornar digitalmente protagonista, deixará outros o ser e as possibilidades de crescimento desaparecerão.

Saímos de uma sociedade global que cruzava rumo a uma interação econômica e social mais livre e igualitária para ver povos retomando ações em prol de sua população, em detrimento dos demais. Vimos que ainda somos defensores “dos nossos” primeiro para os “dos outros” depois. Defender nosso mercado continua tão atual quanto antes. Tem coisas que não mudam, o como fazê-las sim. A defesa de mercado não é mais por armas de fogo ou por política, mas por influência digital. Quem não souber influenciar digitalmente será dragado.

Acompanhamos a derrocada de ícones, pelos efeitos do COVID-19, tanto na economia quanto nas artes, na sociedade e na política tanto quanto fenomenais desempenhos de outrora desapercebidos atores. Reaprendemos que nada é para sempre e tudo é efêmero enquanto dura. Tirar o máximo da efemeridade é a receita da vez.

Revisitamos nossos mais reclusos sentimentos e relemos muito. De Keynes a Machado de Assis, de Marx a Friedman, passando por Lispector, Kant, Moisés e Ian Flemming. Reaprendemos que o conhecimento diferencia, mas seu correto uso é que gera prosperidade.

2020 é para lembrar, aprender e crescer. Com certeza.